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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Imperatriz - O Carnaval da Ignorância



A exemplo de inúmeras entidades de classe do setor agropecuário brasileiro, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, em nota veiculada em seu site na internet se manifestou sobre o polêmico samba enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Confira abaixo a nota na íntegra.

ACNB ressalta importância do agronegócio  

O agronegócio segurou a economia brasileira no pior ano da história econômica dos últimos 50 anos. Essa frase é de um dos maiores especialistas do setor no País, José Luiz Tejon. Mas infelizmente, essa tão importante participação não será evidenciada na maior e mais conhecida festa popular do planeta: o Carnaval.

Muito pelo contrário, estamos chocados com o samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense, que vai usar seus 80 minutos na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, para denegrir o agronegócio brasileiro, demonstrando total desconhecimento da importância deste gerador de divisas, renda e emprego ao País.

De forma infeliz, a escola credita todos os problemas sociais e ambientais ao agronegócio. Diante disso, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) não poderia ignorar o fato de que o agronegócio tem suma importância para a economia brasileira.

As áreas totais das reservas indígenas atuais correspondem a 12,5% do território nacional, em um total de 106,7 milhões de hectares. Já a agricultura empresarial brasileira que garante nosso alimento diário na mesa, utiliza apenas 70 milhões de hectares, o que corresponde a 8,75% do território nacional.

Segundo um estudo da Universidade Federal de Viçosa, há mais de 30 anos a pecuária vem reduzindo área e aumentando a produtividade. O que chamamos de crescimento vertical. No período compreendido entre 1996 e 2013, a produção por hectare (em @ produzida por ha) aumentou 76%, reduzindo área de pastagens em 4,1 milhões de ha no Brasil.

A pecuária também vem apostando há alguns anos no Sistema-Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta, que permite uma produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado e busca efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Em recente entrevista ao Canal Rural, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse que para preservar a cultura indígena no Brasil, não precisa de mais terras e sim de um programa sócio-psicológico amparado por antropólogos estudiosos do assunto, para dar suporte ao "novo índio" que está sendo moldado pela pressão dos tempos modernos.  "Se a União quer dar terra ao índio, que compre essa terra e indenize o produtor", afirma Maggi.

Apesar da queda no número de carteiras assinadas, reflexo da crise política e econômica vivenciada no Brasil nos últimos anos, o setor agropecuário foi o único a registrar um aumento de 0,9% na geração de novos postos de trabalho formais em 2015, concluiu o recente estudo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do seu Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Entre as principais atividades que geram empregos formais no segmento agropecuário paulista, destacam-se o cultivo de cana-de-açúcar (21,3%) e de laranja (14,3%), criação de bovinos (13,8%), atividades de apoio à agricultura (10,4%), criação de aves (7,2%) e cultivo de café (4,2%) que chegam a representar 71% dos empregos formais no setor.

"O levantamento realizado pelo IEA reforça o fato de que o setor agropecuário realmente tem feito a diferença e salvado o País no atual cenário de crise. Não fosse a agricultura, o desempenho do comércio e da indústria teriam ocasionado queda ainda maiores no PIB do País. O trabalho no campo tem contribuído para gerar emprego e renda à população", afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Arnaldo Jardim.

Em 2016, o campo teve participação decisiva no maior superávit registrado pela balança comercial brasileira desde o início da série histórica, em 1989. No último ano, a diferença entre as exportações e importações ficou em US$ 47,7 bilhões. Ao todo, o montante exportado pelo Brasil em 2016 foi de US$ 185,2 bilhões e as importações ficaram em US$ 137,5 bilhões, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

As negociações comerciais feitas pelo Mapa com 17 países, em 2016, resultaram na abertura de mercado para 22 produtos brasileiros.  Os destaques foram as conclusões de acordos para exportar carne bovina in natura aos Estados Unidos, carne de aves termicamente processada para a Coreia do Sul, carne de aves e suína para o Vietnã e carne bovina termicamente processada para o Japão, de acordo com balanço das atividades do ano da Secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa.

No total, o comércio desses 22 produtos, com 17 países, representam US$ 8,3 bilhões anuais e, com os acordos, o Brasil se habilitou a disputar uma fatia desse montante. As negociações fazem parte dos esforços do Mapa para elevar de 6,9% para 10%, em cinco anos, a participação do Brasil no comércio agrícola mundial, um mercado de US$ 1,08 trilhão por ano.

O Brasil colheu a maior safra de sua história, 185 milhões de toneladas de grãos. O volume recorde reforça a expectativa de que o país alcance, até a próxima década, o posto de maior fornecedor de alimentos do planeta, desbancando a liderança dos Estados Unidos. A recente arrancada no campo, acompanhada pelo papel de destaque nos negócios da carne, não confirma só uma vocação brasileira para celeiro do mundo, revelada nos anos 1970 com a abertura da fronteira dos cerrados, mas também continua servindo de estabilizadora da economia nacional.

Infeliz da Imperatriz Leopoldinense não ter se dado ao trabalho de fazer uma simples pesquisa sobre a importância da cadeia produtiva agropecuária do Brasil. O samba enredo seria bem mais interessante.
Fonte: www.nelore.org.br

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Agronegócio segurando a economia



PIB do agronegócio cresceu 3,43% nos primeiros oito meses de 2016

Dados de levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA (Esalq/USP), indicam o crescimento de 3,43% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro considerando os primeiros oito meses de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado.   


Tanto o setor agrícola quanto o pecuário conseguiram valorização real dos preços, o que tem garantido ao agronegócio brasileiro um desempenho positivo neste ano de dificuldades para a economia em geral. 

 
Nestes primeiros oito meses de 2016, em comparação ao mesmo período do ano passado, o desempenho foi positivo em todas as áreas avaliadas. Em setores como a pecuária, por exemplo, o setor de insumos cresceu 1,03%, o primário 0,83%, o de serviços 0,55% e a indústria ligada a este setor cresceu 0,37%.

Mais um capítulo da novela ambiental do Brasil


Divulgação dos dados do CAR causa conflito entre CNA e MMA



Matéria publicada no site do Canal Rural nesta segunda-feira (05/12) traz informações sobre a polêmica criada com a divulgação da base de dados do Cadastro Ambiental Rural - CAR pelo Ministério do Meio Ambiente. Segundo a matéria a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, através de nota a ser enviada a Casa Civil, quer explicações sobre a base legal para divulgar informações que deveriam ser de uso exclusivo do governo.
Até mesmo a responsabilização do ministro José Sarney Filho, titular da pasta (MMA) fará parte da pauta de reunião entre federações do agronegócio, representantes do governo, entre outros.
A maior queixa da CNA é de que os produtores expuseram sua situação ambiental ao governo na intenção de cumprir a legislação e buscar soluções para os casos em que inadequações e antes de qualquer discussão, visto que o CAR ainda está em fase de cadastramento, prorrogado até 2017, os dados já foram divulgados, inclusive com informações de nomes de fazendas, etc.
Informações divulgadas na matéria do Canal Rural dão conta de que o ministro José Sarney Filho enviou o caso à Advocacia Geral da União, uma vez que a divulgação atenderia à Lei de Acesso a Informação, recomendada inclusive pelo Ministério Público Federal.
A polêmica parece girar em torno das interpretações, já que se por um lado a divulgação de informações cadastrais pode trazer prejuízos e insegurança ao produtor/cidadão, já que aparentemente por erro do sistema, aparecem dados que não deveriam nos arquivos para download, por outro lado, por serem dados “públicos”, automaticamente não podem ter restrições de divulgação, segundo especialistas em direito ambiental.
A novela da regularização ambiental no Brasil, realmente parece não ter um fim. A cada passo dado para frente, há uns dois retrocedendo, sem que se saiba ainda se por falta de vontade política de resolver a questão, por incompetência de quem é responsável pelo assunto ou atribuir-se à notória e comum lentidão das “coisas” no Brasil.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Embrapa sendo Embrapa

Em matéria veiculada em seu site, a EMBRAPA (www.embrapa.br), divulga mais uma técnica simples e eficaz para aplicação prática aos produtores rurais do Brasil. Confira abaixo a íntegra da matéria e os canais de contato dos pesquisadores.

Pesquisador cria irrigador solar automático com garrafas usadas



Luiza Stalder -
Foto: Luiza Stalder

Um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados. Essa criação rústica e eficaz de um pesquisador da Embrapa poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.
Desenvolvido pelo físico Washington Luiz de Barros Melo, pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Melo se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material rígido pintada de preto é emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa escura, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar na plantação.

"Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar", afirma o pesquisador que apresenta sua invenção na 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Fazem parte do invento outros dois depósitos de água: uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d'água para manter abastecida a garrafa do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa-caixa-d'água que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema (veja esquema abaixo).

"Os tubos que interligam as garrafas podem ser de equipos de soro hospitalar, por exemplo, mas já utilizei até capas de fios elétricos, retirei os fios de cobre de dentro e funcionou também," conta o pesquisador.

Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. "Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa", ensina.

Também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa pet e do qual saem as tubulações que farão a irrigação.

 
Econômico e ecológico
As vantagens do irrigador caseiro são várias, conforme enumera Melo. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. Ele promove igualmente uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso.

"Além disso, é possível construí-lo com objetos que seriam jogados no lixo, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro", lembra o especialista.

A versatilidade do equipamento também é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório para otimizar a irrigação.
(1) recipiente primário;
(2) funil de acoplamento ao recipiente (1);
(3) acoplador dos recipientes (1) e (4);
(4) recipiente secundário;
(5) duto de sucção;
(6) válvula;
(7) duto alimentador;
(8) pressurizador ou bomba solar;
(9) tubo de escape do ar quente;
(10) acoplador dos recipientes (8) e (11);
(11) recipiente de saída;
(12) duto gotejador ou sifão duplo;
(13) válvula de saída do sifão (11);
(14) gotas;
(15) base de sustentação.
 

Quanto o Sol ilumina a bomba solar (8), a  temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo (9); a pressão do ar sobre o líquido no recipiente (11) impulsiona-o a sair pelos tubos (7) e (12).

A água sai pelo tubo (12) por gotejamento. A pressão interna do recipiente (11) diminui. Nisso, a água no recipiente (4) passa para o recipiente (11) para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente (4) é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório (1).

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar (8) tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente (11), isto provoca um aumento do vácuo no recipiente (4), que aumenta a sucção da água do reservatório (1). Este processo continua até o recipiente (11) completar totalmente o seu volume de água.
Mais informações podem ser obtidas no link.
 

Joana Silva (MTb 19.554/SP) Embrapa Instrumentação Telefone: (16) 2107-2901

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/