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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

PASTEJO ROTACIONADO PARA EQUINOS

Matéria veiculada no portal www.informativoequestre.com.br traz matéria de Cláudio Haddad, da Revista Horse, sobre o manejo de equinos através do pastejo rotacionado. Confira abaixo a íntegra da matéria e sua autoria.

O Pastejo Rotacionado é a modalidade de exploração da pastagem onde, para uma carga animal fixa, respeita-se um período de ocupação (PO) seguido de um período de descanso (PD).
O contraponto do Pastejo Rotacionado é o Pastejo Contínuo, onde o responsável pelo manejo vai adequar a carga animal à capacidade produtiva do pasto. No Pastejo Contínuo, os animais permanecem o tempo todo na área, variando o número de animais em relação à produção de massa da forrageira (verão e inverno).
Na Natureza, os herbívoros têm à disposição grande quantidade de área para pastejo, e mesmo assim apresenta uma elevada mobilidade, pastejando diferentes pontos e em grandes rebanhos. É o caso dos gnus, zebras e impalas na África, os caribus e renas no hemisfério norte e núcleos de cavalos e jumentos selvagens espalhados em diferentes reservas ao redor do planeta.
Todos esses animais procedem um “Pastejo Rotacionado” com variáveis lotações, com algumas espécies trabalhando em parceria (associativismo), como ocorre na África.
Assim sendo, zebras preferem pastos mais altos e gnus e gazelas as pastagens em rebrota, formando uma associação seqüencial e simultânea, onde todas as espécies se beneficiam mutuamente, com reflexos positivos para o ambiente forrageiro.
Completam essa magnífica sociedade, o trabalho dos besouros (vira-bosta), térmites (cupins) e anelídeos (minhocas) mineralizando a matéria orgânica dos dejetos, afofando e descompactando o solo.
Ao domesticar as espécies, o homem inicialmente acompanhou as rotas migratórias naturais (nomadismo), posteriormente a posse da terra (obrigou a cercá-la) e cerceando os movimentos dos herbívoros, foi obrigado a aperfeiçoar o Pastejo Rotacionado visando exploração racional da área.
De todos os herbívoros domésticos, o cavalo é aquele que apresenta os piores comportamentos em pastejo, provocando frequentemente mudanças drásticas na comunidade forrageira.
Listaremos a seguir diferentes aspectos desse comportamento e suas conseqüências.
1-    Cavalos são altamente seletivos em pastejo, apreciando sobremaneira as forragens mais tenras e suas folhas mais novas. Exercem uma desfolha enérgica na forragem, pois a motilidade dos lábios prende a forragem com precisão, e a ação dos dentes incisivos superiores e inferiores procedem ao corte rente ao solo. Quanto mais rente for o corte, maior a intensidade da desfolha, e consequentemente maior é o dano à planta forrageira.
É por isso que as melhores pastagens para eqüinos tendem a “gramar” o terreno, ou seja, as espécies apresentam crescimento estolonífero e/ou rizomatoso e a desfolha é menos sentida pela planta.
Ainda assim, se mantivermos os cavalos durante um longo tempo sobre a área de pastagem, haverá uma tendência irreversível de pastejar as áreas de brota, causando mais dano à forrageira, e levando-a ao esgotamento de suas reservas. Essa é a principal razão da não recomendação do Pastejo Contínuo para eqüinos. Mas não é a única.
2-    Cavalos sempre elegem uma fração do piquete para maior intensidade de defecação, e essas áreas são conhecidas tecnicamente como “bosteiros”. Esse comportamento também existe na natureza e é explicado como uma defesa do animal à reinfestação verminótica, uma vez que o “bosteiro” é pouco ou nada pastejado. Então, se o responsável pelo manejo do pasto desconhecer essa particularidade, irá sempre interpretar que há pasto disponível, mas o cavalo exercerá o super-pastejo (comendo a brota da forrageira) longe da área de dejetos. Consequentemente, as áreas sub pastejadas se apresentarão maduras e fibrosas, diminuindo ainda mais o interesse do cavalo
O resultado é um piquete apresentando áreas super e sub-pastejadas, acelerando a degradação do mesmo.
Quanto a um Pastejo Rotacionado ideal, os piquetes têm período de ocupação rápido (no máximo uma semana), seguido do período de descanso, onde existe a  roçada de igualação e adubação  rotineiramente.
A ação da roçadora espalha os montes de fezes, o adubo devolve a fertilidade exportada e o descanso vai mascarar os odores de fezes para o próximo ciclo de pastejo e permitir recuperação da planta forrageira.
A rotina então é a seguinte:
ocupa – descansa – roça – aduba
Também no período de descanso, a não presença de animais permite um controle mais efetivo dos vermes, além de se constituir em uma “janela” para controle de pragas, ervas daninhas e doenças da forrageira.
Nesse período de descanso, ocorrerá a mineralização da matéria orgânica das fezes, tornando-a rica em nutrientes disponíveis e isenta de odor. Cada espécie forrageira tem um período determinado de descanso e atualmente recomenda-se o retorno ao pastejo quando a interceptação luminosa da área atingir 95%.
O maior indicador que o manejo da pastagem está incorreto é a presença visível de áreas sub e super-pastejadas, aliado os “murunduns” característicos da área de defecação. Os “murunduns” refletem a área onde caíram as fezes e que não foi pastejada pelo cavalo. Não havendo período de descanso, roçada e adubação, os “murunduns” vão se caracterizando mais intensos na coloração verde e no desenvolvimento da forragem.
Na Europa e EUA, procede-se o pastejo associado entre cavalos e ruminantes (ovelhas e/ou gado Jersey). Os ruminantes não rejeitam a área de bosteiro (nem os murunduns), consumindo-a normalmente. Como é difícil a inoculação verminótica cruzada, vermes do cavalo ingeridos pelos ruminantes não completam o ciclo.
O contrário também ocorre. Cavalos consomem áreas onde houve dejetos de ruminantes, e pela mesma dificuldade de inoculação cruzada, ambas espécies “limpam” o terreno de vermes.
Para tanto, a relação normalmente utilizada é de 10 éguas: 1 vaca ou 10 éguas: 5 ovelhas.
3-    Cavalos apresentam intensa movimentação nos piquetes. Correr livremente é manifestação de saúde e alegria do eqüino. Excessão feita às éguas nos dois últimos meses de gestação, todas as demais categorias do plantel correm pela pastagem, inclusive éguas recém-paridas acompanhando a movimentação de seus potros. Essa intensa movimentação age de forma deletéria à forrageira, ou como se diz na prática, o “cavalo come com uma boca e quatro cascos”.
A ação nociva dessa movimentação exige uma forrageira vigorosa e agressiva, capaz de regenerar falhas e erosão e isso é devidamente auxiliado pelo descanso e adubação.
4-    Cavalos erroneamente alimentados tendem a permanecer tempo excessivo nos cantos dos piquetes.
Nesse caso é preciso diferenciar a natural permanência relativamente curta causada pela curiosidade do animal ao que está ocorrendo em áreas de outros piquetes, e carreadores daquela onde o excesso é notado facilmente.
Quando o nível de alimentação com concentrados é alto, o excesso de energia causa efeito substituição no regime alimentar do cavalo. Em outras palavras, quanto mais ração fornecida a pasto, menor é o consumo do pasto e maior a permanência nas cantoneiras.
Em haras de PSI é comum o fornecimento excessivo de aveia grão (energia) e nota-se o comportamento de “boi sonso” exibido pelos animais nas quinas dos piquetes. Esse comportamento caracteriza-se por sonolência, aparência cabisbaixa e imobilidade. Recomenda-se então a diminuição do nível energético da dieta, o correto manejo Rotacionado do pasto, e a colocação de “cama de cocheira” in natura (fezes + urina + cama) sem curtir nos cantos do piquete.
O odor dos dejetos vai fazer o cavalo evitar as quinas e a menor energia em ração provocará maior tempo de pastejo na área.
Finalizando, o pastejo rotacionado é fundamental para a mantença do equilíbrio eqüino saudável – pastagem vigorosa.
Somente com a aplicação dos princípios técnicos descritos é possível criar cavalos de alto potencial genético, utilizando pastagens de alto valor nutricional e com sensível redução nos custos.

Claudio Haddad

é Engenheiro Agrônomo, MS Nutrição Animal e Pastagens e Doutor em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz-USP. Professor Associado do Departamento de Zootecnia da ESALQ-USP, co-autor do Sistema Brasileiro de Criação de Equinos, autor de diversos livros e publicações, consultor técnico para área de Pastagens e Nutrição de Equinos.

sábado, 15 de julho de 2017



Artigo publicado no blog da Scot Consultoria discute assuntos da atualidade da economia brasileira, onde o agronegócio parece continuar desempenhando papel fundamental na segurança financeira do país, confira abaixo. 

Texto integral publicado por Alcides Torres no blogs.canalrural.com.br/blogdoscot

A agropecuária é a salvadora da pátria?



Felippe Cauê Serigati possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (2005), mestrado em Economia de Empresas pela Fundação Getulio Vargas – SP (2008) e doutorado em Economia de Empresas pela Fundação Getulio Vargas – SP (2013). Atualmente é professor da Fundação Getulio Vargas – SP e pesquisador da Fundação Getulio Vargas – SP. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Agrária.

Scot Consultoria: Professor, os atuais números da economia vêm sendo um pouco melhores, é possível dizer que o país saiu da recessão ou ainda estamos estagnados? Conseguiremos manter um PIB positivo no segundo trimestre?
Felippe Cauê Serigati: Com exceção dos números sobre o mercado de trabalho, de fato, os últimos dados divulgados pelo IBGE têm sido melhores do que aqueles anunciados em 2016. Embora em termos técnicos, a recessão já tenha acabado (recessão técnica é a sequência de dois ou mais trimestres consecutivos de contração do PIB), na realidade, é possível dizer que a recessão ainda prossegue. Os investimentos e o consumo das famílias ainda não reagiram, a taxa de desemprego ainda está muito alta, o mercado de crédito continua desaquecido e ainda há muita ociosidade na economia. Enfim, a economia ainda não voltou a reagir e, infelizmente, não está descartada uma leve contração do PIB ao longo do segundo trimestre.


Scot Consultoria: A instabilidade política no País ainda é grande. Qual seria o tamanho do prejuízo para a economia de uma nova troca na Presidência da República, um ano após o impeachment?
Felippe Cauê Serigati: Creio que o prejuízo já esteja dado. Havendo ou não troca no comando do Palácio do Planalto, a agenda de reformas já foi para a geladeira. Por um lado, pessoalmente, mesmo se mantendo no poder, não enxergo o Governo Temer forte o suficiente para passar as reformas com algum conteúdo relevante (talvez até passe algo na Reforma Trabalhista, talvez…). O fato é que o Governo Temer perdeu fôlego. Se conseguir passar alguma reforma, provavelmente, terá que passá-la de forma muito desidratada.
Por outro, não acho que o cenário melhore caso haja uma troca na Presidência da República. Os nomes que circularam na imprensa até o momento não me parecem suficientemente fortes ou convictos para retomarem a agenda de reformas. Particularmente, classifico os nomes que já foram mencionados na imprensa em três grandes grupos:
(i) fortes e com articulação com o Congresso, porém feridos por alguma investigação: a força dos nomes com essas características não deve durar muito. Ou seja, não conseguirão tocar a agenda de reformas;
(ii) sem grandes envolvimentos (até o momento!), mas sem poder de articulação ou legitimidade junto à sociedade: podem até levar o nosso barco até o final de 2018, mas não devem fazer grande coisa;
(iii) aventureiros e oportunistas: bom, nesse caso, creio que meu cenário base seria “ladeira a baixo”.

Scot Consultoria: O senhor acredita que a reforma trabalhista, por estimular a produção, seria a indutora da economia para os próximos anos?
Felippe Cauê Serigati: Não diria que seja um indutor, mas um facilitador. A reforma trabalhista não trará o crescimento de volta, mas permitirá que, quando vier, ele seja mais intenso e sustentável. Em outras palavras, em minha opinião, a reforma trabalhista, ao reduzir os custos e os riscos de uma contratação, permitirá incorporar uma fração maior da força de trabalho ao mercado quando a economia voltar a crescer.

Scot Consultoria: Após as alterações feitas na proposta da reforma da previdência, o Senhor acha que essa atualização será suficiente para sustentar o setor previdenciário ou teremos que voltar à essa pauta em breve?
Felippe Cauê Serigati: Certamente, voltaremos a discutir reforma da previdência em, no máximo, cinco ou sete anos. Reformar a previdência não será um ato, será um processo… e longo. A sociedade brasileira está envelhecendo rapidamente (de forma mais acelerada que diversas outras economias – exceção da China) e o nosso sistema é muito desequilibrado.
Nenhuns dos grupos que são favorecidos deram sinais de que abrirão mão dos seus benefícios. Com isso, a conta não fecha e estamos comprometendo cada vez mais os recursos pagos pelos contribuintes apenas com essa despesa (na realidade, estamos até nos endividando para pagar essa conta…) em detrimento das demais demandas da sociedade.

Scot Consultoria: Por que o agronegócio vem obtendo desempenhos superiores aos da economia brasileira, em média, há vários anos?
Felippe Cauê Serigati: Por uma combinação de fatores: do lado da demanda, o nosso agronegócio encontrou um cenário bastante favorável (por exemplo, com a expansão da renda e a urbanização crescente de diversas economias); do lado da oferta, o setor fez a sua lição de casa, buscando de forma obsessiva maior produtividade. Infelizmente, diversos outros setores da nossa economia não conseguiram fazer essa lição ou sequer adotaram como estratégia a busca por maior produtividade.

Scot Consultoria: Felippe, somos um país que produz principalmente produtos primários (soja, carne, petróleo..) isso é bom para o Brasil? Porque a indústria tem tanta dificuldade para evoluir?
Felippe Cauê Serigati: Com certeza é bom. Por que seria ruim ser eficiente e competitivo na produção de produtos primários? O problema é conseguir ser competitivo apenas em produtos mais básicos (soja, açúcar, carnes, celulose, minério de ferro, petróleo bruto, etc.). Todavia, discordo da tese de que a indústria vai mal porque os setores primários vão bem. Não vejo porque ser competitivo em produtos primários nos torna menos competitivos em produtos mais elaborados. Em outras palavras, de que forma o sucesso do agronegócio ou da Vale compromete, por exemplo, a expansão da indústria automotiva ou de linha branca? Pessoalmente, não vejo contradição entre ter uma indústria forte e ter setores primários competitivos. Alguns argumentarão que a taxa de câmbio pode ser a grande vilã. Porém, o agronegócio caminhou bem com câmbio apreciado ou depreciado, e a indústria não conseguiu evoluir bem com câmbio apreciado ou depreciado.
Por que a indústria brasileira tem encontrado tanta dificuldade pra evoluir? Na minha opinião, por um grande motivo: Custo Brasil. Produzir no Brasil é muito caro. Comparado com outras economias (inclusive algumas emergentes) somos caros pela produtividade que conseguimos entregar. Por trás desse elevado Custo Brasil há diversos fatores (que todos já conhecem): mão de obra cara e pouco produtiva, infraestrutura precária, burocracia sufocante, carga tributária elevada, sistema tributário confuso, enorme insegurança jurídica, crédito caro (principalmente, foras das linhas subsidiadas pelo governo), etc.
Essa situação fica ainda mais problemática quando se tem concorrentes bastante agressivos e competitivos, como os asiáticos. Estamos encontrando grandes dificuldades para competir com eles. É verdade que não somos apenas nós; basta lembrar da agenda protecionista que elegeu o Donald Trump nos Estados Unidos. O nosso caso ficou ainda pior por um longo período de câmbio mais apreciado que permitiu que diversos bens importados chegassem à nossa economia de forma mais barata.
Percebam que esse Custo Brasil afeta toda a indústria brasileira, inclusive a agroindústria. De acordo com os números do CEPEA sobre o PIB do agronegócio, entre 2000 e 2016, enquanto a as atividades agropecuárias cresceram em média 4.4% a.a., a agroindústria cresceu apenas 1.6% a.a. Assim como as demais indústrias, a agroindústria também não conseguiu evoluir. Em outras palavras, exportamos commodities, mas temos muito dificuldade de exportar alimentos. O custo de produzir qualquer bem que demande um número maior de etapas ao longo do seu processo produtivo é muito grande. Resultado: produzimos a matéria-prima mais básica e, imediatamente, encaminhamos para o porto, em vez de manufaturá-la. Veja que tivemos um desempenho favorável nas atividades agropecuárias e na indústria extrativa (minério e petróleo). O caso da Embraer tem sido uma exceção na nossa economia.

Scot Consultoria: O agronegócio tem um importante peso no Produto Interno Bruto (PIB). A  tendência é que a participação aumente no médio prazo e o setor continue sendo a âncora da economia brasileira?
Felippe Cauê Serigati: Não estou 100% confortável com a expressão “ser a âncora da economia brasileira”. Certamente, o agronegócio tem dado grandes contribuições para a economia nacional. Entre elas, destaco (i) a dinamização da economia pelo interior do país (isto é, fora das principais regiões metropolitanas), (ii) o auxílio na desaceleração da inflação, (iii) a atração de divisas via exportações e, principalmente, (iv) o exemplo de que o segredo para o crescimento de médio e longo prazo é a busca incessante por maior produtividade. Porém, não considero o nosso setor a âncora da economia brasileira. Em outras palavras, não é por meio do nosso setor que o Brasil sairá da crise. Apesar dos grandes avanços promovidos pelo universo agro ao longo das últimas décadas, não parece que as atividades agropecuárias (ou até mesmo o agronegócio como um todo) tenham força para, sozinhas, tirar a economia do buraco.
Os números divulgados pelo IBGE no início de junho voltaram a deixar esse ponto claro. Comparando com o 1º trimestre de 2016, a economia brasileira contraiu 0,4% ao longo do 1º trimestre de 2017. Por trás dessa contração, houve uma fortíssima expansão das atividades agropecuárias de 15,2%, e a contração de 1,1% e de 1,7% da indústria e dos serviços, respectivamente. Ou seja, mesmo as atividades agropecuárias crescendo espetaculares 15,2%, não foi suficiente para compensar a contração moderada da indústria de 1,1% ou para aquecer o setor de serviços.
Se utilizarmos as comparações da variação trimestral desses números, a conclusão é semelhante. A economia brasileira cresceu 1,0% entre o 4º trimestre de 2016 e o 1º trimestre de 2017 (marcando o fim da recessão técnica). Por trás dessa expansão, temos um fortíssimo crescimento das atividades agropecuárias de 13,4%, a expansão de 0,9% da indústria e a estagnação do setor de serviços (0,0 %). Ou seja, apesar da fortíssima expansão das atividades agropecuárias 13,4%, o PIB cresceu “apenas” 1.0%. Oras, se as atividades agropecuárias fossem o setor que puxasse a economia brasileira, esse crescimento do PIB não teria que ser maior? Como uma locomotiva que cresce 13.4% gera uma expansão de apenas 1.0% no PIB?
Por fim, de acordo com a análise do pessoal do CODACE (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos) aqui da FGV, enquanto, de um lado, a forte expansão de 13.4% das atividades agropecuárias geraram um crescimento de apenas 0.8% no PIB, o pequeno avanço de 0.9% da indústria (notadamente, na indústria extrativista de minérios e petróleo bruto) gerou um crescimento de 0.2% no PIB (uma vez que o setor de serviços ficou estagnado). Em outras palavras, mantidas as mesmas proporções, é como se o efeito multiplicador dessas indústrias fosse quase quatro vezes maior do que das atividades agropecuárias.
Enfim, não fico 100% confortável com o argumento de que o agronegócio é a tábua de salvação da economia brasileira. Na realidade, não sei qual é a vantagem de colocarmos essa responsabilidade nas nossas costas.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Dia de Campo Sobre ILPF

No próximo dia 8 de abril a Embrapa Pecuária Sudeste realiza, localizada em São Carlos - SP, realizará um Dia de Campo sobre o  sistema de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

O público alvo das 150 vagas oferecidas gratuitamente são os produtores rurais, profissionais do setor agropecuário e técnicos em geral. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 3 de abril, através do endereço de email pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br.

Os participantes conhecerão quatro estações para conhecer na prática as tecnologias utilizadas neste sistema de integração, onde os pesquisadores da Unidade vão apresentar temas como o uso de variedades de leguminosas para recuperação de pastagens degradadas, conhecimentos sobre fertilidade do solo, manejo florestal e produtividade das várias modalidades dos sistemas ILPF.

A Embrapa vem desenvolvendo pesquisas há vários anos com os vários modelos de integração existentes, os quais foram criados como alternativas para diversificação da produção com sustentabilidade ambiental e garantindo renda o ano todo na propriedade, uma vez que literalmente integra numa mesma área diversas culturas e criações, como grãos, carne, leite e madeira.
Um dos grandes focos do ILPF é recuperar áreas degradadas por décadas, com recuperação de pastagens com melhor qualidade, e aumento da produtividade por hectare. Estimativas recentes dão conta de que os sistemas integrados ocupam hoje no Brasil aproximadamente 11,5 milhões de hectares, o que ajudou inclusive no cumprimento das metas de integração previstas para 2030, dentro da política de sustentabilidade ambiental adotada por vários países.


Informações Gerais
Data: 08 de abril de 2017
Horário: 8:00 às 12:00.
Local: Embrapa Pecuária Sudeste - Rodovia Washington Luiz, km 234, São Carlos - SP
Inscrições: até 03 de abril pelo email pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br
Mais informações: (16) 3411-5689

quinta-feira, 23 de março de 2017

ALERTA DE MERCADO

A Farsa da Carne Fraca

Como já era observado por quem acompanha o mercado, o foco da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, iniciada há pelo menos 2 anos, era a corrupção no setor, que segundo os dados investigados superam, em valores, até mesmo o caso da Odebrecht. A questão da qualidade é apenas um "escândalozinho" que o governo vem usando pra desviar o foco da Operação Lava jato e outras votações no Congresso e mesmo pra desviar o principal objetivo da investigação como mencionado.
Matéria publicada pelo canal Rural Business, um importante veículo do setor do agronegócio, traz informações e comentários sobre a farsa dos embargos internacionais à carne bovina brasileira. Confira no vídeo abaixo.

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 Fonte:www.ruralbusiness.com.br

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Respostinha Legal


Obviamente que não sei se a intenção foi dar uma resposta ao samba enredo "daquela" escola, mas que serviria bem pra esse propósito, serviria...
Pra ouvir e curtir!




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Imperatriz - O Carnaval da Ignorância



A exemplo de inúmeras entidades de classe do setor agropecuário brasileiro, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, em nota veiculada em seu site na internet se manifestou sobre o polêmico samba enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Confira abaixo a nota na íntegra.

ACNB ressalta importância do agronegócio  

O agronegócio segurou a economia brasileira no pior ano da história econômica dos últimos 50 anos. Essa frase é de um dos maiores especialistas do setor no País, José Luiz Tejon. Mas infelizmente, essa tão importante participação não será evidenciada na maior e mais conhecida festa popular do planeta: o Carnaval.

Muito pelo contrário, estamos chocados com o samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense, que vai usar seus 80 minutos na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, para denegrir o agronegócio brasileiro, demonstrando total desconhecimento da importância deste gerador de divisas, renda e emprego ao País.

De forma infeliz, a escola credita todos os problemas sociais e ambientais ao agronegócio. Diante disso, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) não poderia ignorar o fato de que o agronegócio tem suma importância para a economia brasileira.

As áreas totais das reservas indígenas atuais correspondem a 12,5% do território nacional, em um total de 106,7 milhões de hectares. Já a agricultura empresarial brasileira que garante nosso alimento diário na mesa, utiliza apenas 70 milhões de hectares, o que corresponde a 8,75% do território nacional.

Segundo um estudo da Universidade Federal de Viçosa, há mais de 30 anos a pecuária vem reduzindo área e aumentando a produtividade. O que chamamos de crescimento vertical. No período compreendido entre 1996 e 2013, a produção por hectare (em @ produzida por ha) aumentou 76%, reduzindo área de pastagens em 4,1 milhões de ha no Brasil.

A pecuária também vem apostando há alguns anos no Sistema-Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta, que permite uma produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado e busca efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Em recente entrevista ao Canal Rural, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse que para preservar a cultura indígena no Brasil, não precisa de mais terras e sim de um programa sócio-psicológico amparado por antropólogos estudiosos do assunto, para dar suporte ao "novo índio" que está sendo moldado pela pressão dos tempos modernos.  "Se a União quer dar terra ao índio, que compre essa terra e indenize o produtor", afirma Maggi.

Apesar da queda no número de carteiras assinadas, reflexo da crise política e econômica vivenciada no Brasil nos últimos anos, o setor agropecuário foi o único a registrar um aumento de 0,9% na geração de novos postos de trabalho formais em 2015, concluiu o recente estudo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do seu Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Entre as principais atividades que geram empregos formais no segmento agropecuário paulista, destacam-se o cultivo de cana-de-açúcar (21,3%) e de laranja (14,3%), criação de bovinos (13,8%), atividades de apoio à agricultura (10,4%), criação de aves (7,2%) e cultivo de café (4,2%) que chegam a representar 71% dos empregos formais no setor.

"O levantamento realizado pelo IEA reforça o fato de que o setor agropecuário realmente tem feito a diferença e salvado o País no atual cenário de crise. Não fosse a agricultura, o desempenho do comércio e da indústria teriam ocasionado queda ainda maiores no PIB do País. O trabalho no campo tem contribuído para gerar emprego e renda à população", afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Arnaldo Jardim.

Em 2016, o campo teve participação decisiva no maior superávit registrado pela balança comercial brasileira desde o início da série histórica, em 1989. No último ano, a diferença entre as exportações e importações ficou em US$ 47,7 bilhões. Ao todo, o montante exportado pelo Brasil em 2016 foi de US$ 185,2 bilhões e as importações ficaram em US$ 137,5 bilhões, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

As negociações comerciais feitas pelo Mapa com 17 países, em 2016, resultaram na abertura de mercado para 22 produtos brasileiros.  Os destaques foram as conclusões de acordos para exportar carne bovina in natura aos Estados Unidos, carne de aves termicamente processada para a Coreia do Sul, carne de aves e suína para o Vietnã e carne bovina termicamente processada para o Japão, de acordo com balanço das atividades do ano da Secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa.

No total, o comércio desses 22 produtos, com 17 países, representam US$ 8,3 bilhões anuais e, com os acordos, o Brasil se habilitou a disputar uma fatia desse montante. As negociações fazem parte dos esforços do Mapa para elevar de 6,9% para 10%, em cinco anos, a participação do Brasil no comércio agrícola mundial, um mercado de US$ 1,08 trilhão por ano.

O Brasil colheu a maior safra de sua história, 185 milhões de toneladas de grãos. O volume recorde reforça a expectativa de que o país alcance, até a próxima década, o posto de maior fornecedor de alimentos do planeta, desbancando a liderança dos Estados Unidos. A recente arrancada no campo, acompanhada pelo papel de destaque nos negócios da carne, não confirma só uma vocação brasileira para celeiro do mundo, revelada nos anos 1970 com a abertura da fronteira dos cerrados, mas também continua servindo de estabilizadora da economia nacional.

Infeliz da Imperatriz Leopoldinense não ter se dado ao trabalho de fazer uma simples pesquisa sobre a importância da cadeia produtiva agropecuária do Brasil. O samba enredo seria bem mais interessante.
Fonte: www.nelore.org.br

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Agronegócio segurando a economia



PIB do agronegócio cresceu 3,43% nos primeiros oito meses de 2016

Dados de levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA (Esalq/USP), indicam o crescimento de 3,43% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro considerando os primeiros oito meses de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado.   


Tanto o setor agrícola quanto o pecuário conseguiram valorização real dos preços, o que tem garantido ao agronegócio brasileiro um desempenho positivo neste ano de dificuldades para a economia em geral. 

 
Nestes primeiros oito meses de 2016, em comparação ao mesmo período do ano passado, o desempenho foi positivo em todas as áreas avaliadas. Em setores como a pecuária, por exemplo, o setor de insumos cresceu 1,03%, o primário 0,83%, o de serviços 0,55% e a indústria ligada a este setor cresceu 0,37%.

Mais um capítulo da novela ambiental do Brasil


Divulgação dos dados do CAR causa conflito entre CNA e MMA



Matéria publicada no site do Canal Rural nesta segunda-feira (05/12) traz informações sobre a polêmica criada com a divulgação da base de dados do Cadastro Ambiental Rural - CAR pelo Ministério do Meio Ambiente. Segundo a matéria a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, através de nota a ser enviada a Casa Civil, quer explicações sobre a base legal para divulgar informações que deveriam ser de uso exclusivo do governo.
Até mesmo a responsabilização do ministro José Sarney Filho, titular da pasta (MMA) fará parte da pauta de reunião entre federações do agronegócio, representantes do governo, entre outros.
A maior queixa da CNA é de que os produtores expuseram sua situação ambiental ao governo na intenção de cumprir a legislação e buscar soluções para os casos em que inadequações e antes de qualquer discussão, visto que o CAR ainda está em fase de cadastramento, prorrogado até 2017, os dados já foram divulgados, inclusive com informações de nomes de fazendas, etc.
Informações divulgadas na matéria do Canal Rural dão conta de que o ministro José Sarney Filho enviou o caso à Advocacia Geral da União, uma vez que a divulgação atenderia à Lei de Acesso a Informação, recomendada inclusive pelo Ministério Público Federal.
A polêmica parece girar em torno das interpretações, já que se por um lado a divulgação de informações cadastrais pode trazer prejuízos e insegurança ao produtor/cidadão, já que aparentemente por erro do sistema, aparecem dados que não deveriam nos arquivos para download, por outro lado, por serem dados “públicos”, automaticamente não podem ter restrições de divulgação, segundo especialistas em direito ambiental.
A novela da regularização ambiental no Brasil, realmente parece não ter um fim. A cada passo dado para frente, há uns dois retrocedendo, sem que se saiba ainda se por falta de vontade política de resolver a questão, por incompetência de quem é responsável pelo assunto ou atribuir-se à notória e comum lentidão das “coisas” no Brasil.